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terça-feira, 3 de abril de 2012

satsang


 
 
aquilo a que tu chamas minha vida
punhado de lembranças que se esvai
enredos, o teu nome, nuvens, tranças
farrapos de uma estória que te trai

personagens e datas que relembras
fracassos ou quem sabe a tua glória
inexistente herança de teus pais
somente o teu passado, tua memória


aquilo que tu temes ou que anelas
onde projetas o que vais viver
esperança, nau sem rumo onde viajas
te lanças e contemplas sem saber 

esse porto que nunca se aproxima
é volátil fumaça de destino
delírio, tolo sonho, pesadelo
é o futuro, tua miséria e desatino


aquilo que te mata é paz e lume,
o mar que faz em ti enorme espaço
 que aninha luz e sombra, a dor e o riso
que o bem e o mal comporta em seu regaço

que te mostra igual a todos por banal
 transborda e desconhece pela graça
o medo de não ser, é confiança
pois tudo ele percebe quando passa

esse instante tão fresco, que tão novo
não pudeste conhecer e não  sonhaste
onde a forma se curva e beija os pés

é silêncio e prontidão, é chão e vôo
é força de amor e liberdade
é o presente, meu amigo, é quem tu és

thirak sarita

segunda-feira, 19 de março de 2012

remissão



I
conta agora o que diz teu pensamento
mentindo sobre a tua desventura
pois conta que te escuto a fala impura
turvada à escuridão do sofrimento 

foste infiel ou falta-te a ternura?
com o desejo deitastes, teu tormento
é vê-lo já desfeito, sem sustento?
temes da morte a foice afiada e dura?

declara, pois conheço o amargo travo
e no rio do amor a dor eu lavo
no mar há-de perder-se retirante

nenhum dos sofrimentos desse mundo
não há que se desfaça num segundo
se exposto à maravilha desse instante

II
passou! é tão fugaz o erro e a luta
como é fugaz a dor que te atormenta
olha a flor onde a natureza assenta
quanta coisa há que ocorre sem labuta

não és quem pensas, nem o que lamenta
no horror que te constrange e que te insulta
pura essência divina é tua conduta
que por não conheceres se te ausenta

não és o corpo morto, envelhecido
não és o ser por outros esquecido
és mais, és muito mais, és luz da vida

qualquer que seja a culpa que te cale
qualquer que seja a dor que te avassale
não vale uma só lágrima vertida

thirak sarita



sábado, 24 de setembro de 2011

o silêncio


rasgado o fulcro
esquivo-me ligeira
e escapo no vazio

farta de procura e de cansaço
 aí te encontro
 e te conheço

até que um dia
apaixonada
deito-me noiva

ardente e ávida
como se te perder
alguém pudesse

calmo, tomas a mim
 e lentamente
aprendo a tua paz

depois celebro
o raio de luz primeiro
dessa fresca manhã

antes hirta, peso e sombra
agora leve, água e solta


thirak sarita


quinta-feira, 28 de julho de 2011

missiva



perdeste-me
porque caminho
para a porta de saída

não esperes
de mim que me despeço

sem levar compromisso
angústia ou crença

da última
( algema doce )
guardo a derradeira reverência

não mais pertenço a tribo
ou clã
nem mesmo me possuem
cor ou sexo

cavalgo o imediato
inteira e nua
e salto nesse instante de apnéia

thirak sarita

quarta-feira, 6 de julho de 2011

brincadeira ( leela )


quando o último ar
 que traz a vida
o meu corpo percorresse

e esse corpo
 por qualquer razão pequena
  tentasse detê-lo
inutilmente

nada mudaria

nem o mapa das estrelas, céu da noite
calmaria
nem o sol, esse insensato
que - indiferente- brilha
nem a flor que em seu contorno
desenha a maravilha

nada no mundo
ou ninguém perceberia

quando ela se for (vida minha?)
nem eu mesma sentiria

thirak sarita


domingo, 3 de julho de 2011

no centro do furacão



no centro do furacão existe um buda

no agora
onde o vento dorme

suspenso
onde tudo espera

vazio
onde o silêncio mora

em paz
onde se encontra Deus


thirak sarita


foto cedida por eliana mora

terça-feira, 28 de junho de 2011

o vôo do buda


                                                                                no  sitio  leela

era um passarinho que caminhava
mesmo podendo voar

até o dia em que ele ouviu: voa!
e ganhou o céu porque acreditou .

primeiro ele dançou
como só um passarinho pode dançar
desenhando no ar a forma do infinito

depois,cheio de gratidão
ele partiu

voando muito alto, desapareceu no azul do céu

alguns dizem que se dissolveu nas nuvens
outros, que virou estrela
mas há quem garanta que ele se tornou o próprio Deus


thirak sarita