segunda-feira, 19 de março de 2012

remissão



I
conta agora o que diz teu pensamento
mentindo sobre a tua desventura
pois conta que te escuto a fala impura
turvada à escuridão do sofrimento 

foste infiel ou falta-te a ternura?
com o desejo deitastes, teu tormento
é vê-lo já desfeito, sem sustento?
temes da morte a foice afiada e dura?

declara, pois conheço o amargo travo
e no rio do amor a dor eu lavo
no mar há-de perder-se retirante

nenhum dos sofrimentos desse mundo
não há que se desfaça num segundo
se exposto à maravilha desse instante

II
passou! é tão fugaz o erro e a luta
como é fugaz a dor que te atormenta
olha a flor onde a natureza assenta
quanta coisa há que ocorre sem labuta

não és quem pensas, nem o que lamenta
no horror que te constrange e que te insulta
pura essência divina é tua conduta
que por não conheceres se te ausenta

não és o corpo morto, envelhecido
não és o ser por outros esquecido
és mais, és muito mais, és luz da vida

qualquer que seja a culpa que te cale
qualquer que seja a dor que te avassale
não vale uma só lágrima vertida

thirak sarita



2 comentários:

  1. Uau!!!

    Belíssimo!!!

    Forte!!!

    Parabéns, querida Thirak!!!

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  2. Um poema clássico, profundo, revelando grande emoção!!
    Bjos

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