sábado, 24 de setembro de 2011

o silêncio


rasgado o fulcro
esquivo-me ligeira
e escapo no vazio

farta de procura e de cansaço
 aí te encontro
 e te conheço

até que um dia
apaixonada
deito-me noiva

ardente e ávida
como se te perder
alguém pudesse

calmo, tomas a mim
 e lentamente
aprendo a tua paz

depois celebro
o raio de luz primeiro
dessa fresca manhã

antes hirta, peso e sombra
agora leve, água e solta


thirak sarita


quinta-feira, 28 de julho de 2011

missiva



perdeste-me
porque caminho
para a porta de saída

não esperes
de mim que me despeço

sem levar compromisso
angústia ou crença

da última
( algema doce )
guardo a derradeira reverência

não mais pertenço a tribo
ou clã
nem mesmo me possuem
cor ou sexo

cavalgo o imediato
inteira e nua
e salto nesse instante de apnéia

thirak sarita

quarta-feira, 6 de julho de 2011

brincadeira ( leela )


quando o último ar
 que traz a vida
o meu corpo percorresse

e esse corpo
 por qualquer razão pequena
  tentasse detê-lo
inutilmente

nada mudaria

nem o mapa das estrelas, céu da noite
calmaria
nem o sol, esse insensato
que - indiferente- brilha
nem a flor que em seu contorno
desenha a maravilha

nada no mundo
ou ninguém perceberia

quando ela se for (vida minha?)
nem eu mesma sentiria

thirak sarita


domingo, 3 de julho de 2011

no centro do furacão



no centro do furacão existe um buda

no agora
onde o vento dorme

suspenso
onde tudo espera

vazio
onde o silêncio mora

em paz
onde se encontra Deus


thirak sarita


foto cedida por eliana mora

sexta-feira, 1 de julho de 2011

sobre o amor


O amor não é uma ação; não é uma coisa que você faça. Se você faz, não é amor. Nenhum fazer está envolvido no amor; ele é um estado de ser, não uma ação. Também não é uma questão de tempo. Se você pode ser amoroso em um simples momento, isso é o suficiente, porque você nunca tem dois momentos juntos. Somente um momento é dado. Quando um é perdido, um segundo é dado. Você tem somente um momento com você. Se você sabe como ser amoroso em um único momento, você conhece o segredo.

Osho
(O Livro dos Segredos- vol 2)

terça-feira, 28 de junho de 2011

o vôo do buda


                                                                                no  sitio  leela

era um passarinho que caminhava
mesmo podendo voar

até o dia em que ele ouviu: voa!
e ganhou o céu porque acreditou .

primeiro ele dançou
como só um passarinho pode dançar
desenhando no ar a forma do infinito

depois,cheio de gratidão
ele partiu

voando muito alto, desapareceu no azul do céu

alguns dizem que se dissolveu nas nuvens
outros, que virou estrela
mas há quem garanta que ele se tornou o próprio Deus


thirak sarita